A geração Z chegou ao ensino superior, estamos preparados?

A geração Z chegou ao ensino superior, estamos preparados?

Educação

Qual o impacto da chegada de uma nova geração de alunos no ensino superior? Esta foi uma das perguntas que motivou as pesquisadoras norte-americanas Corey Seemiller e Meghan Grace a desenvolver em 2015 um estudo com jovens da geração Z (nascidos entre 1996 e 2010), que chegavam aos bancos escolares das universidades americanas com interesses, características e modos de aprender distintos das gerações anteriores. A pesquisa envolveu 15 instituições de ensino superior e foi apresentada através do livro Generation Z goes to College, publicado em 2016.

Compreender as características destes jovens e como devemos, como professores e instituições, nos adaptar as mudanças que eles promovem a medida que interagem e convivem conosco é fundamental para que possamos continuar construindo a melhor formação para os alunos de universidades no Brasil.

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Pensando nisso, entramos em contato com as pesquisadoras para propor um desdobramento da pesquisa americana, aqui no Brasil. A proposta foi muito bem aceita pelas professoras e no primeiro semestre de 2018 começamos o trabalho de adaptação dos instrumentos e coleta de dados. Nossa pesquisa alcançou praticamente 2000 alunos, sendo 1466 atendia aos critérios da pesquisa (ano de nascimento e ingresso na universidade). Estes alunos estão matriculados em 74 instituições de ensino superior diferentes, mas 41 instituições tiveram resposta única.  A maioria dos respondentes está matriculado em 13 instituições de ensino superior, a maioria delas privadas sem fins lucrativos.

No segundo semestre de 2018, analisamos os resultados e a partir disso conseguimos mapear o perfil desses jovens, seus desejos, formas de aprender, características e preocupações. Os resultados descritos no relatório surpreendem em alguns momentos, como quando perguntamos qual o método de comunicação preferencial desta geração.

Tanto nos EUA quando no Brasil, o método preferido pelos estudantes é o presencial, cara a cara (face-to-face). O índice no Brasil de preferência deste método é de 82.8%. Mensagens instantâneas vem logo a seguir (64,9%) e em último lugar está a possibilidade de conversa por telefone (20,5%).

Com relação ao uso de redes e mídias sociais, cabe destacar que 75,7% dos jovens dizem que o youtube é um canal de obtenção de conhecimento novo.

Outro ponto relevante diz respeito às formas de recompensa que mais impactam nos alunos. A maioria respondeu que recompensas relacionadas a perspectiva de crescimento profissional e currículo são mais relevante. A resposta com maior índice foi “me motivo pela oportunidade de desenvolver conhecimento e avançar”, com 86,3%. Logo a seguir vem “aprender algo ou ser melhor em algo”, com 79.9% e “defender algo que acredito”. As recompensas tangíveis são relevantes (como a nota), mas foram indicadas por 75,6% dos alunos.

A pesquisa permitiu compreendermos quais os métodos de aprendizagem que mais fazem sentido para os alunos (linguístico ficou em primeiro lugar com 53,7%); quais os interesses dos jovens com relação a questões sociais (destaque para educação, direitos das mulheres e dos gays) e como eles se percebem, em termos de características pessoais (leais, mente aberta, responsáveis e determinados, são alguns dos destaques desta questão). A pesquisa aponta ainda estilos e formas de aprendizagem (ênfase na lógica e aprendizagem baseada em experiência).

A etapa quantitativa da pesquisa permitiu ainda realizar algumas correlações entre interesses sociais, formas de aprendizagem ou características pessoais e sexo.

A etapa qualitativa teve como interesse compreender qual o papel do professor, o que os alunos esperam da universidade e como estudar pode ser mais interessante e divertido.

Com relação à questão sobre formas de tornar o estudo mais interessante e divertido, destacam-se respostas relacionadas com a necessidade de temas que despertem o interesse do aluno, metodologias diferentes e inovadoras, um professor inspirador e aprender sobre algo que eu gosto.

Sobre a questão envolvendo o que buscam na universidade, a maioria respondeu que a universidade é o caminho para obtenção do conhecimento, de competências profissionais e de competências pessoais.

Finalmente, qual o papel do professor para estes jovens? Quase a metade deles respondeu algo relacionado com a figura de um orientador, alguém que ajuda na definição dos caminhos. Logo a seguir, mas com menos da metade de citações, vem ator principal e transmissor do conhecimento.


Pesquisa desenvolvida por Paula Campagnolo, Isa Alves, Gustavo Borba, Corey Seemiller e Meghan Grace. O relatório desta pesquisa está disponível gratuitamente.
Foi inspirador?

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                            Gustavo Severo Borba
                            Possui gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia El&eacute;trica pela Universidade Federal de Santa Maria (1995), mestrado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998), doutorado em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005) e especializa&ccedil;&atilde;o em Design Estrat&eacute;gico pela Unisinos (2008) e p&oacute;s-doutorado na Escola de Educa&ccedil;&atilde;o do Boston College (2012). Atualmente &eacute; professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Design da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. &Eacute; lider do grupo de pesquisa Design Estrat&eacute;gico para a Inova&ccedil;&atilde;o Cultural e Social. &Eacute; embaixador do TEDx no Brasil. Tem experi&ecirc;ncia na &aacute;rea de processos de Design e Inova&ccedil;&atilde;o, Design estrat&eacute;gico e novas pr&aacute;ticas de ensino e aprendizagem orientadas pelo design.













                

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